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Lešany
Um passeio até aos vestígios da Guerra Fria

Este programa encontra-se disponível apenas aos dias de fins-de-semana entre Junho e Setembro, ao que se juntam as Quarta-feiras em Julho e Agosto!!
Os Museus Militares de Praga encontram-se agrupados sob a égide do Instituto de História Militar de Praga, e, para além do Museu do Exército e do Museu da Força Aérea, contam desde 1996 com um terceiro elemento: o Museu Técnico Militar de Lešany, que nos propomos visitar consigo. É que enquanto os dois primeiros se encontram na cidade de Praga, com relativa facilidade no acesso por parte do turista. o terceiro está localizado no campo, a cerca de 25 km do centro da cidade (em linha recta).
Como é costume nos nossos programas, optamos por sugerir um passeio alternativo, em vez da viagem directa até ao destino final. Desta feita, começaremos o percurso na aldeia de Kammeny Privoz, tomando um trilho que rapidamente se afasta do asfalto, conduzindo o viajante junto ao rio Sázava. Passaremos junto a um grupo de agradáveis "chatas" (pequenas casas de campo) antes de nos afastarmos por um pouco da civilização. O passeio prossegue sempre junto ao rio, já se perdendo o contacto visual com Kammeny Prizov. Mais à frente começamos a subir, até alcançarmos o asfalto. Os últimos dois quilómetros de caminhada serão feitos na estrada.
O Museu Técnico Militar de Lešany encontra-se no local desde 1996. A história das suas instalações remonta à II Guerra Mundial, quando os alemães ali construiram um campo de detenção militar integrado nas Waffen SS. Terminada a guerra, o campo foi aproveitado para deter os alemães de origem checa, até à sua expulsão massiva do país, que se iniciou no Outono de 1945. Após a chegada ao poder dos comunistas, Lešany foi utilizada como campo de trabalhos forçados para os opositores do novo regime. A partir de 1950 a área foi convertida em aquartelamento e utilizada por uma unidade de artilharia, até 1995.
O Museu oferece duas áreas principais distintas: primeiro, a exposição ao ar livre, rica em equipamentos de origem soviética do pós-guerra, máquinas que várias gerações de ocidentais aprenderam a temer, como a materialização da ameaça que se escondia por detrás da "cortina de ferro", o braço armado do grande mundo comunista que Lenine idealizou, há cerca de um século. Segundo, a exposição patente dentro dos pavilhões, ordenada cronologicamente, arranjada com um considerável senso museológico, com frequentes recriações de cenários de tempos passados onde as máquinas ganham uma nova vida.
A Skoda - a marca de carros iniciou-se produzindo material de guerra - merece destaque, com uma colecção notável de peças de artilharia de entre-guerras, para além das numerosas peças dispersas pelos diversos espaços da exposição.
A lista de iguarias para os interessados em história militar é extensa, mas não podemos estedenermo-nos em demasia. Se desejar alguma informação "técnica" adicional, não hesite em nos contactar.
Terminada a visita ao museu, apanharemos o comboio de regresso a Praga. Não se poderá dizer que é ali mesmo à beira, mas quase. São uns meros 500 metros.

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O Tanque Cor-de-Rosa

Na madrugada de 28 de Abril de 1991, uma estranha movimentação podia ser observada pelo noctívago casual que passasse na praça Kinsky. David Cerny, o polémico artista plástico checo, então um jovem de 23 anos, pintava de cor-de-rosa um tanque soviético exposto no local desde 1945, em homenagem à libertação de Praga do jugo alemão.
Após o ataque artístico de Cerny e dos seus amigos, as autoridades devolveram a cor original ao IS-2 - na realidade um tipo de tanque historicamente incorrecto, pois o modelo que entrou em Praga no dia da libertação foi o T-34 - mas a história não se ficou por aqui: um grupo de quinze deputados parlamentares, gozando de imunidade, voltaram ao local e repintaram a pobre máquina de cor-de-rosa, em protesto contra a detenção de David Cerny. Foi o suficiente para que o tanque fosse definitivamente removido. Hoje em dia encontra-se exposto no Museu Militar Técnico de Lesany, e na praça Kinsky foi construida uma fonte no local onde antes se encontrava o monumento. Já em 2008, Cerny voltou ao ataque, transportando para as imediações uma réplica cor-de-rosa de uma parte traseira de um tanque soviético, de forma ilegal, tentando encorajar a reflexão política sobre os novos sinais de expansionismo russo. Ilegal ou não, a verdade é que até hoje a peça se encontra por lá.
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Mais informações sobre o estranho caso do tanque cor-de-rosa (em inglês):
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